O Amor nos Tempos de Consumo

Por vezes dou por mim a pensar que os relacionamentos nestes tempos – de consumo - têm muito de marketing…Como os produtos, parece haver relacionamentos para todos os fins e objectivos. Parece haver pessoas que, como alguns produtos, não abandonaremos, parece haver pessoas que servem um determinado objectivo.

Do “one-night-stand” ao namoro, do “amigo colorido” ao casamento, os relacionamentos de hoje em dia são variados, podem evoluir para coisas mais profundas, podem ficar apenas por umas horas bem (ou mal) passadas. Podem ser profundíssimas e acabar.
Uma das motivações mais profundas no ser humano é amar e ser amado. Não é preciso um psicólogo dizer isto. Afinal, em alguma altura da nossa vida, estivemos apaixonados por alguém. Ou ansiamos encontrar esse alguém que nos ponha a cabeça a andar à roda e que preferencialmente sinta a mesma coisa.
Não sou daqueles que diz que antes era mais fácil. A questão é que nos nossos tempos – de consumo – a escolha também é maior, assim como a concorrência. Por outro lado, numa sociedade cada vez mais individualista, não estamos facilmente abertos a aceitar pequenas grandes diferenças – os chamados defeitos. A margem de manobra que nos damos a nós próprios para aceitar a diferença alheia parece ser menor que noutros tempos. Em algumas situações, ainda bem que assim é. Noutras, nem por isso.
O corre-corre do dia a dia parece também afectar esta coisa dos relacionamentos. Por vezes é difícil ou mesmo impossível mostrarmo-nos como somos. Logo à partida, andamos todos muito defensivos, com medo de espantar a “caça”. Ou então, escolhemos tanto que acabamos uns anos depois a realizar verdadeiros saldos de nós próprios. Nem uma coisa nem outra é boa. Numa e noutra desponta, mais cedo ou mais tarde, a insegurança de viver num mercado relacional por vezes muito agressivo. Isto para não falar dos milhentos casos de pessoas que se mantêm num relacionamento por medo da solidão. Não são assim tão poucos como possa parecer à primeira vista.
Curiosamente – ou talvez não – a capa desta edição mostra um homem autómato e uma mulher de carne e osso. As interpretações possíveis devem ser pelo menos tantas quantos os leitores da revista: O homem a quem nada era exigido e agora tudo é exigido, qual autómato; a mulher que cada vez tem mais poder (ainda bem!) nesta coisa dos relacionamentos; o cyber-relacionamento: hoje temos paixões e relacionamentos virtuais, pela Internet, mais dia menos dia surgem os robots, com aquela personalidade, peso, medidas, cor de cabelo e tamanho de sutiã que corresponde ao nosso ideal…Isso seria dramático…
Seria dramático porque mesmo com todas as dificuldades, características de relacionamentos, desilusões, traições, defeitos, fins e recomeços, esta coisa dos relacionamentos é fulcral no nosso desenvolvimento. Aprendemos sempre algo num relacionamento e até mesmo no não-começo de um relacionamento. Se calhar aprendemos que não é boa ideia falar de relacionamentos anteriores no primeiro encontro com alguém; que a pessoa pode não ter aquele peito idealizado, mas que a forma como sorri é muito mais sensual; aprendemos essencialmente sobre nós.
Isto dos relacionamentos não é fácil. Não é fácil começar um, não é fácil mantê-lo quando a paixão se esbate, não é fácil acabar outro, não é fácil chegar ao ponto ideal de partilha individual e respeito pela diferença que permite um relacionamento saudável e satisfatório para as duas pessoas. Mas desistir é pior, mais destrutivo.
Às vezes é preciso mesmo reiventar a relação que temos em determinado momento. Não nos esqueçamos que, da mesmo forma que não vemos os defeitos e diferenças, apenas só coisas boas no outro no inicio duma relação, quando ficamos com dúvidas tendemos a ver só as coisas negativas. Desistir é o mais fácil. Corrigir, dialogar, reinventar o relacionamento é o mais difícil. Mas pode ser também o mais proveitoso. Isto porque, como as empresas de sucesso, os grandes relacionamentos adaptam-se e inovam, não se rendem às circunstâncias, se o seu “produto” – essa terceira entidade que existe numa relação entre duas pessoas – for de qualidade e passível de ser melhorada.

Publicada porVictor Silva à(s) 23:28  

14 comentários:

Ísis Osíris disse... 28 de janeiro de 2009 às 13:06  

:)
Estou am ler um livro do Givokate, psiquiatra com muitas publicações, que desenvolve ideias muito semelhantes a esta! E nas férias li um outro livro sobre as relações nos tempos modernos e vem bater um bocado aqui!

Emma disse... 31 de janeiro de 2009 às 20:05  

Tomei a liberdade de postar o artigo no nosso blog:)
Beijinhos
Edu

Emma disse... 31 de janeiro de 2009 às 20:09  

Foi só o link, senão exigias-me direitos de autor:)

Rita P. disse... 14 de junho de 2009 às 02:57  

Estou a ler o livro Antropologia, de 2005, e estou a gostar muito. Por acaso és o autor? Se fores, podes-me dizer onde é que o posso adquirir? Sou ávida coleccionadora de bons livros e este é da biblioteca (oferta do autor à FPCE-UL). Vou aqui passando para ver se entretanto respondes, até porque gostei do blog =)

Alysson disse... 21 de março de 2010 às 21:15  
Este comentário foi removido pelo autor.
Alysson disse... 21 de março de 2010 às 21:17  

achei muito legal seu blog, depois da uma olhada no meu tbm. Vlw!!

olha la:www.lizonfly.co.cc

by: Alysson Valério

Martita Santos disse... 17 de abril de 2010 às 15:18  

Texto mto interessante!Mandei pro monte de amigos!

Anónimo disse... 28 de junho de 2010 às 11:36  

help me!
http://tacithrus.blogspot.com/

Anónimo disse... 30 de junho de 2010 às 12:24  

help me

tacithrus.blogspot.com

ana laura disse... 2 de março de 2011 às 18:57  

Psicanalistas em SP, capital, atendem a R$60,00. Contato: psicanalistasaopaulo.com.br

ana laura disse... 2 de março de 2011 às 18:58  

Psicanalistas em SP, capital, atendem a R$60,00. Contato: psicanalistasaopaulo.com.br

luiza disse... 2 de março de 2011 às 20:00  

Psicanalistas em SP, capital, atendem a R$60,00. Contato: psicanalistasaopaulo@yahoo.com.br

Carlos Ferreira disse... 5 de março de 2011 às 19:34  

A Rádio Cultura de Santos Dumont-MG, "TERRA DO PAI DA AVIAÇÃO", cidade de 50 mil habitantes, na Zona da Mata Mineira, região de Juiz de Fora, fundada em 17 de agosto de 1948 é uma emissora administrada pela Sociedade Mineira de Comunicação.
Direção: Sérgio Rodrigues, João Begatti e Carlos Ferreira.
www.radioculturasd.com.br
twitter.com/radioculturasd
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=97354075
CULTURA ACONTECE: De segunda/sábado, de 08 às 10, com Jorge de Castro e participações de Sérgio Rodrigues, Carlos Ferreira e João Begati.
CAMPEONATO MINEIRO: Domingo, (13/03), às 20h, direto de Juiz de Fora, Tupi (Juiz de Fora) e Caldense (Poços de Caldas), com Edson Palma, João Begati, Carlos Ferreira, Evandro Begati, Sérgio Rodrigues, Guilherme Galdino e Alessandra Batista.

Leia mais aqui no BLOG:
www.carlosferreirajf.blogspot.com

Jéssica disse... 29 de agosto de 2011 às 00:59  

Concordo plenamente ,sou estudande de Psicologia e sempre leio muito, gostei *....*

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