O Processo de Orientação Vocacional

Chega-se ao inicio do último ano do 3º Ciclo (9º ano) e começam as dúvidas? Que área vou escolher no secundário? Pode ser violento para muitos adolescentes terem que escolher com 15 anos uma área de estudos que depois os preparará para o acesso a um curso superior ou a uma profissão. Chega-se ao final do secundário e mais uma decisão: agora é preciso escolher um curso que levará a uma profissão, ou ao ingresso no mercado de trabalho. Já estamos na Universidade ou a trabalhar e descobrimos que não era aquilo que queríamos. Que fazer? Que opções tomar?
Enquanto os filhos se preocupam com estas coisas, os pais pensam “se calhar é melhor ele fazer uns testes vocacionais no psicólogo” e perguntam-se: O que será esta coisa da Orientação Vocacional? Será que os testes são suficientes?



Na orientação vocacional como a entendo e pratico, visa-se a exploração do percurso vocacional, num contexto ao mesmo tempo apoiante e desafiador para o cliente. Esta visão ultrapassa em muito a mera passagem de testes, até porque estes (embora utilizados) dão-nos uma visão do estado actual do cliente em termos de interesses e valores profissionais (por exemplo). Ora esta dimensões podem evoluir ao longo do tempo. Os testes são extremamente utéis, mas devem ser vistos como instrumentos num processo, não a resposta final.
As pessoas não nascem com uma vocação, constroem-na. Nesta construção estão envolvidos diversos factores (interesses e valores pessoais, influências parentais ou dos pares, etc). A Orientação Vocacional não é apenas decidir o que se quer estudar ou fazer profissionalmente, é também um exercicio de auto-conhecimento, das próprias competências e lacunas, de si mesmo, afinal de contas.
Assim sendo, uma intervenção típica de Orientação Vocacional, para além das etapas de criação da relação segura com o cliente e conhecimento deste, inclui:

O trabalho e análise de Mitos ao nível das capacidades, aptidões e vocacões;

Influências parentais e familiares ao nível vocacional;

Valores pessoais e profissionais;

Interesses Profissionais e sua ligação com as escolhas e percursos escolares;

Capacidades e Aptidões e sua ligação com o percurso vocacional;

Conhecimento de cursos, opções escolares e profissões mais adequadas ou de maior interesse vocacional para o cliente através das dimensões anteriores e da exploração destas "saídas" pelo próprio (através de pesquisa de informação sobre as profissões, entrevistas a profissionais, etc, realizadas pelo cliente - fomentando a sua autonomia - mas com o apoio e preparação por parte do psicólogo);

Discussão da informação recolhida, convergência com as dimensões pessoais e treino de competências de tomada de decisão (ou seja, ajudar o cliente a que, tendo em conta todo o trabalho de auto-conhecimento e de exploração de respostas existentes - cursos, profissões, etc - seja capaz de fazer escolhas por ele mesmo).

Finalmente, integração das diversas dimensões do trabalho desenvolvido e construção do projecto vocacional - planear o que se tem de fazer, quando se tem de fazer para aceder a uma profissão ou resposta de formação/escolar.

Como se vê, nesta perspectiva, mais do dizer a um cliente que tem jeito para isto ou para aquilo, realizamos um trabalho de auto-conhecimento e promoção da autonomia, dando-lhe ferramentas para que, numa outra altura da vida (e nos dias que correm, as pessoas passam por várias actividades ao longo da vida) possa decidir adequadamente acerca das suas opções vocacionais. Desta forma, estamos a promover o desenvolvimento da pessoa.
Consonte as características da pessoa e problema apresentado (orientação vocacional na passagem para o ensino secundário; passagem para o ensino superior; reorientação vocacional - quando as pessoas não estão satisfeitas com as escolhas feitas) o número de sessões é variável. Tipicamente andará à volta das 8 a 10 sessões, sendo por vezes necessário mais consultas, já a outro nível de intervenção, quando o cliente apresenta outros problemas associados, como desânimo, humor depressivo, ansiedade, o que pode por vezes acontecer nestas situações relacionadas com a decisão vocacional. .

Publicada porVictor Silva à(s) 19:16  

2 comentários:

Anónimo disse... 28 de setembro de 2007 às 22:46  
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Unknown disse... 28 de outubro de 2009 às 12:28  

Victor achei bem interessante a sua visao sobre o processo de orientação.
Se possivel gostaria ate de te pedir alguma ajuda.
Se voce pudesse meu informar alguns dos testes que voce utiliza na sua orientaçao para ajudar mais o paciente.
Obrigado

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